22 de fev de 2010

encontro e despedida



Me despeço de Ponto Novo essa semana. A saudade das quartas-feiras virão...estrada de barro, carne frita e feijão xirre....os sorrisos e a vontade de aprender...


17 de fev de 2010

cigana pela causa palestina





Ja disse aqui que aquelas moças de Ponto Novo descobriram o meu segredo e mais uma boneca apareceu. Essa havia sido prometida desde o primeiro dia que começamos o trabalho por lá, e quase no último dia ela me foi dada.
O ar cigano, os detalhes das bijous e essas mãos na cintura exibindo uma autoridade constante são incríveis.
O cabelo feito de malha fez-me lembrar os lenços das mulheres mulçumanas.
O broche é de feltro.

colar de pano




...os colares de pano em modelo gargantilha....as vezes tem dois lados, as vezes um só, as vezes bordado...as vezes....


" Assim, o colonizado descobre que sua vida, sua respiração, os batimentos do seu coração são os mesmos que o do colono. Descobre que a pele de colono não vale mais do que a pele de indígena. Isso significa que essa descoberta introduz um abalo essencial ao mundo. Toda a segurança nova e revolucionária do colonizado decorre daí. Se, efetivamente, minha vida tem o mesmo peso que a do colono, seu olhar não me fulmina mais, não me imobiliza mais, sua voz não me petrifica mais. Não me perturbo mais na sua presença. Praticamente, ele pouco me importa. Não só a sua presença não mais me constrange, mas ja estou lhe preparando tais emboscadas que logo ele não terá outra saída senão a fuga."
Frantz Fanon - Os condenados da terra, pág 62.

12 de fev de 2010

ponto cruz em ponto novo








Toda quarta-feira saímos de Dário Meira rumo a Ponto Novo. Mais ou menos uma hora de viagem por estrada de chão. Cacau cedendo espaço pra fazenda de gado, e lá de cima ja é possível avistar as primeiras plantações de eucalipto. Dizem que é a bola da vez. Sinto uma melancolia, às vezes, em presenciar essa mudança.
Ponto novo hoje não é nada muito além de uma ladeira com casas de um lado e casas do outro. Aqui adoram cozinhar carne com biribiri.
Esses quadradinhos foram feitos por um grupo de mulheres e moças que se reunem pra aprender a bordar. Esse foi o período do Ponto Cruz. O curioso é que as vezes seguem gráficos, mas parece que a vontade de grafar livremente os desenhos ainda predomina.
Em um lugar, como aqui na região, em que qualquer bordadeira atribue maior valor aos gráficos massificados das baratinhas e pouco criativas revistas, ver essa produção dá um gosto que só.

o baton borrou...ops...




Dia desses mais uma boneca ganhei de presente. Elas estão descobrindo o meu ponto fraco. Essa foi feita por Avany, aluna do curso de bordado de Ponto Novo que é distrito de Dário Meira, aqui no sul da Bahia.
Essa ainda não tem nome, mas ando pensando em algum que tenha haver com essa expressão curiosa que esses borrões conseguiram. Adorei os sapatinhos.

11 de fev de 2010

quase carnaval

esses dias sem trazer novas imagens pois bordando...bordando...bordando...

2 de fev de 2010

era uma vez ...





Fui em Valentin (sul da Bahia) procurar uma coisa e acabei encontrando outra.
Da porta de um casabre Senhora Menina me via passar.... cumprimentei-a. Com sorrizo e timidez ela retribuiu o cumprimento e foi ai que num desvio de olhar minha atenção foi capturada pelo que eu podia ver através da janela. Aquelas bonecas de pano penduradas na parede atiçaram em mim a vontade de conhece-la e poder ve-las mais de perto. Fui.
Confesso que aquela boneca azul me provocou bastante, ainda mais pelo motivo do formato de suas pernas serem quase como cauda de sereia e ainda estarem amarradas. Mistério. Uma casinha simples e uma senhora colecionadora de bonecas. O tapete de fuxico triangular ela fez pra filha, mesma técnica da boneca na parede, que me fez lembrar um artesanato indígena dos andes. Aqui nessa casa mágica o tubo de linha vira sol para os peixes nadarem quentinhos nos mares alaranjados onde habitam as sereias azuis. Mais um Encontro. A boneca azul veio me ensinar a nadar.